Artigo: O Pálido Ponto Azul / Imagem em Mente (03)

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Sim meus amigos, a foto acima é do nosso querido e tão maltratado planeta Terra. Sim, aquele pequeno ponto, circundado acima é o nosso planeta. A foto em questão é uma famosa fotografia tirada pela sonda Voyager 1, em 1990, e foi nomeada por Carl Sagan, o responsável pela missão, de “O pálido ponto azul”. A sonda Voyager 1 é hoje o objeto humano mais longe da Terra (foi lançada em 1977). Este ano ela ultrapassou os limites do sistema solar e, apesar de ter vários dos seus instrumentos não funcionando mais, ainda envia sinais que levam 17 horas para chegar até a Terra.

A foto ficou tão famosa justamente por nos fazer enxergar (literalmente) a nossa insignificância diante de todo esse universo. Como disse o próprio Carl Sagan, todas as pessoas que conhecemos e todas as pessoas que já ouvimos falar, viveram suas vidas ali, naquele pequeno ponto azul.

Ao mesmo tempo, o pequeno ponto parece ‘protegido’ por um raio de sol, reflexo da luz do sol na fotografia, algo que de certa forma o destaca em meio a toda a vastidão. Essa metáfora me faz pensar ainda mais que a primeira.

“Tal ciência é para mim maravilhosíssima; tão alta que não a posso atingir. Para onde me irei do teu espírito, ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás também. Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, Até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá. Se disser que as trevas me encobrirão; então a noite será luz à roda de mim. Nem ainda as trevas me encobrem de ti; mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz são para ti a mesma coisa.” Salmo 139.6-12

Carl Sagan tem um belo discurso realizado em uma conferência em 1996, tendo como base essa foto. Na verdade ele já escreveu até um livro com este mesmo nome (“Pálido Ponto Azul”). O discurso é realmente muito tocante e nos faz refletir muito, especialmente para entendermos a banalidade de nossas guerras e beligerâncias, bem como a necessidade de proteger esse único ponto no universo que foi reservado para nós. O discurso pode ser visualizado no youtube, inclusive em versão dublada, com a narração de Guilherme Briggs.

Todo o discurso pode ser esmiuçado para uma reflexão bem mais abrangente, mas um trecho me chama mais a atenção para nossa ‘mente cristã’:

“As nossas posturas, a nossa suposta auto-importância, a ilusão de termos qualquer posição de privilégio no Universo, são desafiadas por este pontinho de luz pálida. O nosso planeta é um grão solitário na imensa escuridão cósmica que nos cerca. Na nossa obscuridade, em toda esta vastidão, não há indícios de que vá chegar ajuda de outro lugar para nos salvar de nós próprios.”

Será mesmo? Não há como negar: “nosso planeta é um grão solitário na imensa escuridão cósmica que nos cerca.” Mas como vemos na própria foto, será que não há um raio de luz capaz de nos iluminar em meio a essa obscuridade? Realmente não há esperança para a humanidade para salvar-nos de nossa insignificância e de nós próprios, como diz o texto? É claro que aqui entra a questão da fé. Mas um livro sagrado, muito comentado, mas pouco conhecido de verdade neste grão de areia cósmico, nos fala que toda vez que olharmos para essa luz defletida como a que vemos, de modo a dividir-se em várias cores, especialmente formando um arco de cores, podemos nos lembrar que Aquele que é maior que tudo isso, que há e que não há no universo, sim, o Deus Todo-Poderoso, quer você acredite ou não, realizou uma aliança com a humanidade. Uma aliança de que não seríamos destruídos ou nos destruiríamos gratuitamente.

“E estará o arco nas nuves, e eu o verei, para me lembrar da aliança eterna entre Deus e toda a alma vivente de toda a carne, que está sobre a terra.” Gn9.16

Como eu disse, como sempre, é claro que é uma questão de fé. Mas não sei quanto a vocês, mas em mim tem algo que não se conforma com toda essa insignificância. Eu simplesmente não suporto a ideia de sermos apenas um pequeno ponto dentro de outro pequeno ponto pálido e azul. Sim, eu reconheço que fisicamente, em termos de espaço e de tempo, não somos nada além disso. Mas, perdoe-me Carl Sagan, de alguma forma tem que haver algo mais. Atrás desta cortina tem que haver palcos azuis*. Perdoe-me você que não crê. Mas eu só enxergo a minha significância na minha fé, na minha esperança. E a minha esperança está em Jesus.

“Jesus respondeu e lhe disse: Qualquer que beber desta água tornará a ter sede; mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der ser fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna.” Jo 4.13-14

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Outra foto famosa de nosso planeta. Essa tirada pela missão Apolo 8 enquanto estava em órbita na Lua em 1968.

* Referência à música “Minha Vida” de Chico Buarque.

 

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