Filosofia e Poesia | De Caeiro a Camus – A metafísica de se dar sentido aos atos

Silva_Porto-guardando-rebanho

Guardando o Rebanho – Pintura a óleo de Antonio de Carvalho Silva Porto, de 1893, em exposição no Museu Nacional de Soares dos Reis, em Porto. Essa Obra do Realismo/Naturalista português representa bem a valorização da simplicidade do campo tão presente em Alberto Caeiro.

Alberto Caeiro era um dos heterônimos de Fernando Pessoa. Para quem não está familiarizado, essa era uma forma bastante comum de Pessoa se expressar, ou seja, ele criava personalidades, com nomes, biografias, datas de nascimento e até mesmo de morte, que se expressavam de formas determinadas e criavam suas próprias obras.

Alberto Caeiro, junto com Álvaro de Campos e Ricardo Reis são os mais famosos heterônimos. Caeiro era um poeta do campo e, apesar de pouca instrução, era tido pelos outros como “O Mestre”. Caeiro, em toda a sua obra, sempre irá defender a vida simples do campo, sem a necessidade de grandes luxos, mas principalmente sem a necessidade de grandes questionamentos, ou filosofias. Para ele, o que importa é o que vê e o que sente, e pensar sobre as coisas é simplesmente deixar de enxergá-las e aprisionar-se num quarto com cortinas. Nesse sentido, Alberto Caeiro é anti-metafísico. A poesia dele fala por si mesmo:

Há metafísica bastante em não pensar em nada.

O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?

Não sei.  Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

O mistério das cousas?  Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

Metafísica?  Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?

“Constituição íntima das cousas”…
“Sentido íntimo do Universo”…
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.

Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.

O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!

(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.

E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.

Alberto Caeiro.

Meu objetivo aqui, claro, não é rebater o pensamento de Alberto Caeiro, haja visto que nem mesmo se trata de uma pessoa de verdade. Mas é também claro, que um site que tem por objetivo “pensar” vai diretamente contra esse tipo de ideia expressa por Caeiro. O homem é questionador por natureza. As crianças, por exemplo, têm uma curiosidade natural. Mas pensar também gera consequências. Gera sofrimento, gera dúvidas, gera incertezas. E talvez seja por isso que vemos tantas pessoas que, mesmo sem saber, vivem exatamente dentro da filosofia de vida de Alberto Caeiro. Preferem não parar para pensar.

Já ouvi de um grande amigo meu: “quem me dera fosse apenas um pescador da Amazônia, e pudesse viver ignorantemente sem que meus questionamentos me afligissem”. Será mesmo? Seria, como diz o ditado, verdadeiramente “a ignorância uma benção”? Não acredito. Aliás também não acredito nessa figura que rodeia nosso imaginário, do cidadão simples, humilde e não questionador. Tenho certeza que uma hora ou outra esse “pescador” deve olhar para o céu e se perguntar “por que tudo isso?”. Alberto Caeiro não existe na realidade.

No entanto, após questionar-se, o homem pode sim optar pela opção de resignar-se. E aí sim, viver a vida, simplesmente porque é o que precisa ser feito. Acordar, comer, trabalhar e dormir, porque é o que precisa ser feito. Um (não) eterno ciclo que não leva a lugar algum. Um trabalho de Sísifo.

Sísifo era na mitologia grega, um homem que quis desafiar a morte, e por isso foi condenado ao pior trabalho de todos: o trabalho inútil. Todos os dias era obrigado a carregar com muito esforço uma grande pedra até o cume de um monte, simplesmente para vê-la rolar depois. É interessante que apesar dessa história ter pelo menos uns 2500 anos, no século XX, um outro Alberto, não o Caeiro, mas o Albert Camus, realizou um ensaio filosófico, tendo como base esse mito. Para Camus, a questão central da humanidade seria: diante da “absurdidade” da condição humana, não seria a única resposta para isso o suicídio? É claro que a discussão de Camus é muito mais profunda, mas a resposta a essa pergunta é basicamente “não”. E (ainda bem), não vemos tantas pessoas se suicidando por aí, alegando convicções filosóficas. Mas vemos milhões simplesmente aguardando a morte, reprimindo e/ou postergando seus pensamentos sobre Deus, a vida e a morte.

camus

Albert Camus e sua obra “O Mito de Sísifo”

“Só existe um problema filosófico realmente sério: é o suicídio. Julgar se a vida vale ou não vale a pena ser vivida é responder à questão fundamental da filosofia

… Galileu, que detinha uma verdade científica importante, abjurou-a com a maior facilidade desse mundo quando ela lhe pôs a vida em perigo. Em um certo sentido, ele fez bem. Essa verdade não valia a fogueira. Se é a Terra ou o Sol que gira em torno um do outro é algo profundamente irrelevante. Resumindo as coisas, é um problema fútil. Em compensação, vejo que muitas pessoas morrem por achar que a vida não vale a pena ser vivida. Vejo outras que paradoxalmente se fazem matar pelas idéias ou as ilusões que lhes proporcionam uma razão de viver (o que se chama uma razão de viver é, ao mesmo tempo, uma excelente razão para morrer). Julgo, portanto, que o sentido da vida é a questão mais decisiva de todas.”

“Da mesma forma, e ao longo de todos os dias de uma vida sem brilho, o tempo nos carrega. Mas sempre chega um momento em que é preciso carregá-lo. Vivemos para o futuro: “amanhã”, “mais tarde”, “quando você tiver uma situação”, “com o tempo você vai compreender.” Essas inconsequências são admiráveis porque, afinal, se trata de morrer. Mas chega um dia e o homem verifica ou diz que tem trinta anos. Afirma assim sua juventude. Mas, nesse mesmo lance, se situa com relação ao tempo. Ocupa ali seu lugar. Reconhece que está num dado momento de uma curva que confessa ter de percorrer. Ele pertence ao tempo e, nesse horror que o agarra, reconhece nele seu pior inimigo.”

Albert Camus, em “O mito de Sísifo”

Para Camus, o verdadeiro sofrimento de Sísifo não estava no seu trabalho em si. Mas estava na sua condição humana que o levava a refletir sobre o trabalho. Camus descreve que a verdadeira pena estava não no momento em que ele subia o monte carregando a pedra, mas no momento em que ele descia o monte, tendo consciência de sua condição. De fato, não podemos afirmar que um rato que todos os dias corre em sua roda, que não lhe leva a lugar algum, esteja sofrendo pelo ato em si, haja visto que este não tem consciência do que o ato significa (no caso, nada). Mas um homem que passasse uma vida inteira girando uma roda do Conan (*referência ao filme Conan – O Bárbaro, de 1982), se não tivesse a esperança de mudar sua situação, por certo se angustiaria demais.

“Se esse mito é trágico (o mito de Sísifo), é que seu herói é consciente. Onde estaria, de fato, a sua pena, se a cada passo o sustentasse a esperança de ser bem-sucedido? O operário de hoje trabalha todos os dias de sua vida nas mesmas tarefas e esse destino não é menos absurdo. Mas ele só é trágico nos raros momentos em que se torna consicente.”

Fato é que, um tema tão importante da filosofia não poderia passar “batido” ao “homem mais sábio de todos os tempos”. Inclusive, o próprio Camus chega a citar Eclesiastes em sua obra, mostrando que foi beber também de Salomão ao escrevê-la. E este imortaliza a expressão, que ao meu ver é sinônimo de Trabalho de Sísifo: “correr atrás do vento”.

“Contudo, quando avaliei tudo o que as minhas mãos haviam feito e o trabalho que eu tanto me esforçara para realizar, percebi que tudo foi inútil, foi correr atrás do vento; não há nenhum proveito no que se faz debaixo do sol.” Eclesiastes 2.11

Paulo, que em seu tempo teve que debater com filosófos da linha dos estóicos e epicureus, (que têm bases muito semelhantes as de Caeiro), valorizava muito a “fé racional”, ou seja a fé que tem uma base e um pensamento racionais, de um homem que se questiona, que opta e delibera. Paulo valorizava o pensar.

“Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”

Romanos 12.1-2

Ele sabia que as coisas de Deus se discerniam espiritualmente, mas ao mesmo tempo, não deixava de lado seu entendimento, raciocínio e intelectualidade. Pelo contrário, os abastecia com a graça e a convicção que lhe era dado por meio da fé, afim de justamente desvendar os conhecimentos mais ocultos. Paulo acima de tudo era um filósofo. Um filósofo do cristianismo.

“… Para que o coração deles seja confortado e vinculado juntamente em amor, e eles tenham toda a riqueza da forte convicção do entendimento, para compreenderem plenamente o mistério de Deus, Cristo, em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos.” Cl 2.2-3

Como o texto acima diz, todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão em Cristo. Pode ser que ainda estejam ocultos a nós, mas estão nEle. E Cristo é algo acessível a todos e a qualquer um. Seja um grande intelectual como Albert Camus, um homem do campo como Caeiro, ou apenas um simples e humilde pescador na Amazônia. Essa é a grande maravilha do cristianismo: ser a resposta a essa grande “absurdidade” da vida, que permeia a mente de sábios e indoutos. Ser o sentido que faz com que não sejamos apenas ratos correndo em uma roda ou “Sísifos” carregando pedras pela eternidade para, simplesmente, serem roladas de volta. Não precisamos viver como Sísifo.

Tiziano_-_Sísifo

Sísifo, de Tiziano Vecellio, de 1548. Essa pintura a óleo deste artista renascentista encontra-se exposta hoje no Museu do Prado, em Madri.

Cinema / Poesia | “Para sempre Alice” e “A arte de Perder”

“Somos aquilo que lembramos, e também aquilo que resolvemos esquecer”.

Ivan Izquierdo.  Médico e neurocientista da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), referência mundial em fisiologia da memória.

Poster-PARA-SEMPRE-ALICE

Assisti recentemente ao filme Still Alice (“Para Sempre Alice”), de 2014. Dirigido por Richard Glatzer (falecido recentemente em decorrência de Esclerose Lateral Amiotrófica) e Wash Westmoreland, o filme conta com atores de peso como Julianne Moore no papel principal, Alec Baldwin, Kristen Stewart e Kate Bosworth. Mas o filme é de uma pessoa só: Julianne Moore domina a tela no papel de Alice, e não é à toa que recebeu diversas premiações por essa atuação, incluindo o Oscar e o Globo de Ouro.

Baseado no livro homônimo, de Lisa Genova, o filme conta a história de Alice, uma neurolinguista, professora universitária, que começa a apresentar déficits de memória, decorrentes da manifestação de um Alzheimer precoce. Por certo muitas pessoas têm contato com parentes, pais ou avós com Mal de Alzheimer, mas esse caso específico é um pouco diferente. Trata-se de uma forma rara da doença, que atinge pessoas mais jovens e cuja evolução é inexorável, ou seja, se você tem o gene, você irá manifestar a doença, e ainda pode transmiti-lo a seus descendentes.

alice borboleta

Livro “Still Alice” de Lisa Genova, que deu origem ao filme. A metáfora da borboleta é algo bem presente, fazendo contraponto ao sentimento de aprisionamento da personagem principal.

A parte médica descrita no livro e no filme, é impecável. Os dados sobre a doença, os métodos de avaliação utilizados, todos esses são bem fiéis à realidade. Aliás, esse para mim é o grande mérito do filme: ser bem fiel à realidade, isto é, ele não idealiza, não mascara, não romantiza, mas mostra cada personagem com suas qualidades e seus defeitos e a realidade da doença como ela é.

No entanto, a grande questão do filme, não é abordar a doença em si, mas sim as mudanças biopsicossociais sofridas com a pessoa e com a família da pessoa que sofre com uma doença neurodegenerativa (talvez a escolha do diretor tenha relação com sua própria doença). E como essas mudanças bio-psíquicas-e-sociais fazem o paciente se afastar cada vez mais da pessoa que ela é. Fazem ela se perder. O grande objetivo do filme é falar sobre o “perder”. Por isso mesmo, creio que a tradução do título para o português não seja a mais adequada. “Still Alice”, no caso, seria melhor traduzido por “Ainda Alice”, já que o seu grande desafio, relatado pela própria, é manter-se conectada à mesma pessoa que ela já foi e que está perdendo, ou seja, continuar sendo “Alice”.

“… Eu sou uma pessoa vivendo no estágio inicial da Doença de Alzheimer, e assim sendo estou aprendendo a arte de perder todos os dias. Perdendo meus modos, perdendo meus objetos, perdendo sono e, acima de tudo, perdendo memórias…

…Tornamo-nos ridículos, incapazes, cômicos. Mas isso não é quem nós somos. Isso é a nossa doença. E como qualquer doença, tem uma causa, uma progressão, e pode ter uma cura…

…Mas por enquanto, eu estou viva. Eu sei que estou viva. Tenho pessoas que amo profundamente, tenho coisas que quero fazer com a minha vida… Estou lutando. Lutando para fazer parte das coisas, para continuar conectada com quem um dia eu fui. Então “viva o momento”, eu digo para mim mesma. É tudo que posso fazer. Viver o momento. E não me culpar tanto por dominar a arte de perder.”

Esse texto faz parte do discurso proferido pela personagem do filme em uma reunião sobre a Doença de Alzheimer. No início do texto ela irá citar um poema de Elizabeth Bishop, que transcrevo aqui abaixo e que se torna a base de todo o seu discurso. Elizabeth Bishop deve ser conhecida do público brasileiro, pois foi uma poeta americana que morou por mais de 20 anos no Brasil, e recentemente foi vivida no cinema no filme de Bruno Barreto, “Flores Raras” (que conta a história dela e sua relação homoafetiva com a personagem da atriz Glória Pires). O poema é bastante famoso nos Estados Unidos, de uma linguagem relativamente simples, com rimas em forma de villanelle (do francês villanesque). Villanelle é uma forma relativamente comum nos poemas de língua inglesa, sendo constituído por 5 tercetos seguidos ao final por 1 quarteto.

 

A arte de perder

 

“A arte de perder não é nenhum mistério;

Tantas coisas contêm em si o acidente

De perdê-las, que perder não é nada sério.

 

Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,

A chave perdida, a hora gasta bestamente.

A arte de perder não é nenhum mistério.

 

Depois perca mais rápido, com mais critério:

Lugares, nomes, a escala subseqüente

Da viagem não feita. Nada disso é sério.

 

Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero

Lembrar a perda de três casas excelentes.

A arte de perder não é nenhum mistério.

 

Perdi duas cidades lindas. E um império

Que era meu, dois rios, e mais um continente.

Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.

 

– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo

que eu amo) não muda nada. Pois é evidente

que a arte de perder não chega a ser mistério

por muito que pareça (Escreve!) muito sério. ”

 

Poema de Elisabeth Bishop, Tradução de Paulo Henriques Britto. Citado no filme Still Alice (“Para sempre Alice”) de 2014.

 

O poema mostra um eu-lírico resignado e aparentemente convencido de que nada pode fazer quanto a perda. Por isso ele parece obsessivamente querer se convencer de que isso “não é nada sério”, mesmo com o aumento gradual da importância das coisas que perde. Ao final, com o termo em parênteses “Escreve!”, vemos uma metalinguagem do autor que se utiliza das palavras, da poesia, para tentar amenizar o seu sofrimento.

Tanto o poema, quanto o filme nos comovem muito por tratar de forma tão delicada do tema da perda. Mas, independente se de forma abrupta ou de forma arrastada, como Alice, todos nós perderemos tudo isso. De forma geral, não se nasce com nada, e não se leva. Então tudo que um dia adquirimos, tudo pelo que lutamos, em teoria um dia irá se perder. Não há sentido em se apegar às coisas.

Nu saí do ventre de minha mãe, e nu voltarei para lá” Jó 1.21

Fica mais doloroso em pensarmos que esta “lei universal” se aplica também a nosso intelecto, às nossas memórias, e a nós mesmos. Por isso, não vale a pena nos apegarmos também ao que somos. Nossos títulos, nosso conhecimento, nossas lembranças. Tudo se perde também. E isso, fora de um contexto cristão, a mim, parece extremamente desesperador.

O apóstolo Paulo, em sua epístola aos Filipenses, parece alertar exatamente quanto a isso. Dentro de um contexto cristão, apegar-se aos seus bens, ou a si mesmo é um grande erro. E ele diz que mesmo ele, que pertencia a uma classe social bastante elevada em sua sociedade, tinha passado por todos os ritos judaicos à risca, tinha estudado e sido ensinado por um dos maiores mestres gregos de seu tempo, Gamaliel, tinha por certo tinha um QI muito acima da média, e ainda tinha de nascença o título de cidadão romano, algo que poucos podiam e que muitos pagavam quantias enormes em dinheiro para conseguir; mesmo ele, veria tudo isso se perder. E por isso, ele já preferia reputar tudo isso em perda por Cristo, sendo este agora seu verdadeiro apego. Porquanto, esquece-se das coisas que estão atrás e olha para o alvo, a fim de conquistar algo perene, que nunca se perderá.

“… Nós que adoramos pelo Espírito de Deus, que nos gloriamos em Cristo Jesus e não temos confiança alguma na carne, embora eu mesmo tivesse razões para ter tal confiança. Se alguém pensa que tem razões para confiar na carne, eu ainda mais: circuncidado no oitavo dia de vida, pertencente ao povo de Israel, à tribo de Benjamim, verdadeiro hebreu; quanto à Lei, fariseu; quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na Lei, irrepreensível.

Mas o que para mim era lucro, passei a considerar como perda, por causa de Cristo. Mais do que isso, considero tudo como perda, comparado com a suprema grandeza do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por quem perdi todas as coisas. Eu as considero como esterco para poder ganhar Cristo e ser encontrado nele, não tendo a minha própria justiça que procede da Lei, mas a que vem mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus e se baseia na fé.

Quero conhecer Cristo, o poder da sua ressurreição e a participação em seus sofrimentos, tornando-me como ele em sua morte para, de alguma forma, alcançar a ressurreição dentre os mortos. Não que eu já tenha obtido tudo isso ou tenha sido aperfeiçoado, mas prossigo para alcançá-lo, pois para isso também fui alcançado por Cristo Jesus.

Irmãos, não penso que eu mesmo já o tenha alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus.” Filipenses 3.3b-14

 

O texto é claro. E é confortador, especialmente para aqueles que de alguma forma já viram seus familiares se perderem gradualmente dentro de sua mente, esquecendo-se de tudo e de todos. Mas Deus não se esquece. E em Cristo Ele há de reavivar uma nova mente incorruptível e perene, livre de doenças ou da neurodegeneração. Uma nova mente, em Cristo.

“Pois é necessário que aquilo que é corruptível se revista de incorruptibilidade, e aquilo que é mortal, se revista de imortalidade. Quando, porém, o que é corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal, de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: “Tragada foi a morte na vitória” 1Co 15.53-54

alice

Artigo | Selma – A verdade está marchando

Truth forever on the scaffold, Wrong forever on the throne,—
Yet that scaffold sways the future, and, behind the dim unknown,
Standeth God within the shadow, keeping watch above his own

“A verdade sempre no cadafalso. O pecado sempre no trono
No entanto, esse estrado balança o futuro, E, atrás deste turvo desconhecido,
Permanece Deus dentro da sombra, Mantendo acima sua vigilância.”

Trecho de “The Present Crisis” (1844), do poeta americano James Russell Lowell, citado por Martin Luther King em seu discurso de 1965 em Montgomery.

lutherking

Sem querer polemizar ou entrar a fundo nesse tipo de discussão, adianto antes de tudo minha opinião: Política e religião em geral não devem se misturar. Deixando claro esse meu ponto de vista (e implícito minha opinião sobre a maior parte dos políticos que formam a chamada “bancada evangélica”), reafirmo, a parte em que escrevo “em geral”. Ou seja, há momentos específicos em que a comunidade cristã de um país deve se movimentar. Ou até marchar. Não, não estou me referindo à nossa conhecida “Marcha pra Jesus” (nada contra). Me refiro a marchas de luta por direitos humanos, sociais ou religiosos, como as que aconteceram em Selma, no estado do Alabama em 1965.

Esses eventos ficaram mais famosos recentemente após terem sido contados no filme Selma – Uma Luta pela Igualdade”, de 2014. O filme, dirigido por Ava DuVernay, e estreado por David Oyelowo no papel de “Martin Luther King”, peca um pouco no ritmo, e no excesso de preocupação em ser linear, cronológico e explicativo, que deixam uma boa parte do filme meio “sonolenta”, na minha opinião. Tirando esse fato (e também o fato de escolherem um ator inglês, mas que se esforçou bastante, para interpretar Luther King), o filme é uma boa homenagem a esses corajosos homens que em determinado momento decidiram se mover e lutar por igualdade de direitos, direito ao voto e civilidade.

selma filme

Selma – Filme de 2014 dirigido por Ava DuVernay

Não vou me apegar à descrição de todos fatos, e dos detalhes de cada uma das três marchas realizadas em prol desses direitos à população negra americana. Fato é que a primeira pode ser resumida em uma imagem:

selma 01

O episódio acima ocorreu em 18 de fevereiro de 1956, e foi chamado de “Domingo Sangrento”. Tropas avançaram com gás lacrimogênio e cassetetes em um grupo de cerca de 550 manifestantes. 17 foram hospitalizados, e diferente de marchas anteriores, nenhum manifestante morreu. No entanto, havia um fator importante diferente nesse caso: a presença de redes televisivas registrando a crueldade. Imagens como a de Amelia Boyton Robinson (abaixo) rodaram o país e o mundo.

selma 02

Amelia Boyton Robinson, ferida na primeira Marcha de Selma a Montgomery.

Claro, que isso gerou repercussão, e a partir de então, os manifestantes de Selma, passaram a receber apoio de boa parte do país (inclusive de muitos cidadãos brancos).

selma 03

Manifestantes em Nova Iorque apoiam os movimentos de Selma (1965)

Mediante tal situação, o pastor Martin Luther King e os líderes da SCLC (Conferência da Liderança Cristã Sulista), organizam uma segunda marcha, que por motivos de segurança e também pela proibição judicial que havia, foi suspensa pelo Dr. King em cima da ponte Edmund Pettus, após uma breve oração. Nessa mesma noite, um grupo de ministros religiosos brancos que vieram a Selma para participar da marcha, foi atacado por membros do Ku Klux Klan e, dois dias depois, James Reeb, o mais atingido desses, veio a falecer.

Uma semana após, os manifestantes conseguiram finalmente o direito judicial de marchar. E com isso em 21 de março, domingo, iniciaram então a terceira marcha, que concluiu-se após 3 dias na cidade de Montgomery. No dia 25 de março, em frente ao capitólio do estado do Alabama, Martin Luther King realizou mais um de seus discursos memoráveis de título “How long? Not long.” (“Quanto tempo? Não muito”), mas mais conhecido como “Our God is Marching On” (“Nosso Deus está marchando”). Descrevo a tradução de alguns trechos deste discurso abaixo:

“… Eu posso dizer, como a Irmã Pollard disse – uma senhora negra de 70 anos de idade que viveu nessa comunidade durante o boicote do ônibus –  e um dia, ela foi perguntada enquanto andava se ela não queria uma carona. E ela então respondeu, “Não”, a pessoa disse “Bom, você não está cansada?” E com sua profundidade não gramatical, ela disse: “Meus pés estão cansados, mas minha alma repousa”. E em um sentido real, esta tarde, podemos dizer que os nossos pés estão cansados, mas nossas almas repousam….

… Sim, estamos em movimento e nenhuma onda de racismo pode nos parar. Estamos em movimento agora. A queima de nossas igrejas não vai nos deter. O bombardeio de nossas casas não vai dissuadir-nos. Estamos em movimento agora. O espancamento e morte de nossos clérigos e os jovens não vai desviar-nos. Estamos em movimento agora. A liberação desenfreada de seus assassinos conhecidos não iria desencorajar-nos. Estamos em movimento agora. Como uma idéia cujo tempo chegou, nem mesmo a marcha de exércitos poderosos podem nos deter. Estamos nos movendo para a terra da liberdade.

… Eu sei que vocês estão perguntando hoje, “Quanto tempo isso levará?”. Alguém pergunta: “Quanto tempo a visão cega dos homens permanecerá prejudicada, escurecendo seu entendimento e conduzindo a sabedoria de olhos abertos do Seu trono sagrado? Alguém se pergunta “Quando a justiça maculada, jazendo prostrada nas rua de Selma e Birminhgham e todas as comunidades do Sul, será levantada dessa poeira da vergonha que reina suprema entre os filhos dos homens? Alguém se pergunta: “Quando a estrela radiante da esperança imergirá contra o peito noturno desta adorável noite, arrancada de almas cansadas com correntes de medo e algemas da morte? Quanto tempo será crucificada a justiça, e a verdade suportará?

Quanto tempo? Não muito tempo, porque “nenhuma mentira pode viver para sempre”

Quanto tempo? Não muito tempo, porque “você colhe aquilo que você planta”

Quanto tempo? Não muito. * …

Quanto tempo? Não muito tempo, porque o arco do universo moral é longo, mas ele se curva em direção à justiça.

Quanto tempo? Não muito, porque ** …

Sua verdade está marchando.”

* Nesse momento ele cita o  poema de James Russel Lowell ** Nesse momento ele cita o hino “Our God is Marching On”

Esse discurso, não tão famoso como o “I´ve a dream” (“Eu tenho um sonho”), mas tão importante quanto, é recheado de referências externas, incluindo o poema do poeta americano James Russel Lowell, citado no prefácio deste artigo, e alguns corinhos muito famosos, inclusive aqui no Brasil, como “Joshua Fit the Battle of Jericho.” (“Vem com Josué lutar em Jericó”), “Lift Every Voice and Sing” de James Weldon Johnson, um famoso ativista americano negro, do início do século XX, e a incomparável, “Our God is marching on” (Glória, glória, Aleluia, aqui no Brasil).

As marchas de Selma a Montgomery foram um momento crucial da história da luta racial nos Estados Unidos. Após esse evento, muitos cidadãos de todo o país passaram a apoiar a causa, e o posicionamento do presidente Johnson, a favor do direito do voto a estes cidadãos, foi um grande passo para a mudança. Em pouco tempo, o número de cidadãos negros com direito ao voto se multiplicaria. O negro passa a ter representatividade política e, hoje, a nação mais poderosa do mundo, é liderada por um presidente negro, em seu segundo mandato.

Claro que até hoje ainda existem muitos resquícios dessa divisão racial nos Estados Unidos e em outros países também, como o Brasil. Mas é incomparável com os absurdos que já existiram. Fato é que fica marcado na história um momento em que uma comunidade cristã de um grande país se mobilizou para mudar e vencer uma grande injustiça. E essa luta fica como uma vitória de pessoas que entendiam seu lugar na sociedade, e se expuseram por uma causa que valia a pena lutar. Martin Luther King, mesmo não sendo um homem perfeito, ao longo de sua luta, angariou poder político, se sentou com presidentes e foi capaz de influenciá-los. Hoje infelizmente, somos assombrados por cristãos que se sentam com políticos para corromper e serem corrompidos. Não há cristãos marchando pela miséria e pelos injustiçados. Que Deus tenha misericórdia, e que a sociedade nos perdoe quando marchamos pelos motivos errados.

“Lembrai-vos, porém, dos dias anteriores, em que, depois de iluminados, sustentastes grande luta e sofrimentos; ora expostos como em espetáculo, tanto de opróbrio quanto de tribulações, ora tornando-vos co-participantes com aqueles que desse modo foram tratados…

… Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa. Porque, ainda dentro de pouco tempo, aquele que vem virá e não tardará;Hb 10.32-33, 36-37

Poesia | Análise – “E agora, José?”

JOSÉ

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Joaquim?
e agora, você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, – e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais!
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?

Carlos Drummond de Andrade (In Poesias – 1942)

Esse é um dos poemas mais conhecidos de Carlos Drummond de Andrade. “José” aqui é usado como uma metonímia para o próprio autor ou para qualquer ser humano. No entanto, ao usar um nome tão comum aos brasileiros, temos a sensação de ser alguém aqui do nosso meio. Não é à toa que usa metáforas e regionalismos como “bicho-do-mato”, tornando essa poesia ainda mais nacional (realmente uma das riquezas da nossa literatura). Mas é claro que o que se trata aqui é algo bem mais universal.

José se encontra em um momento de sua vida que já não tem mais nada. Por certo já não está mais em sua juventude, por isso “a festa acabou”, já não pode beber, não pode fumar. Além disso, já não tem o apoio e a alegria de uma mulher, não tem familiares para se apoiar (“parede nua para se encostar”), não existe saídas (não há porta). Tudo que ele fez até então, agora não lhe serve mais (seus versos, seus protestos, seus amores e até sua zombaria, citados na primeira estrofe). Tudo que ele possui também não lhe adianta, suas riquezas (sua lavra de ouro), seu conhecimento (sua biblioteca), os momentos que realizou alguma coisa (instantes de febre), os momentos de fartura ou de dificuldade (gula e jejum). Encontra-se vulnerável, frágil, percebido por seu “terno de vidro”. Nem a incoerência ou o ódio lhe servem de alguma coisa.

Este homem, ao se ver nessa situação, se pergunta “e agora?”. Não há mais festa. Não pode voltar para Minas, que aqui traz a ideia de sua terra natal, talvez como uma metáfora para sua própria Infância. E assim, neste momento que se encontra, da mesma forma que não é capaz de voltar para a sua infância também não consegue avançar e abraçar a morte, pois é “duro”.

Essa reflexão de Carlos Drummond me traz à tona a mesma reflexão de Albert Camus em seu ensaio “O mito do Sísifo” (assunto que trarei em outro post em breve). José é o “homem-absurdo” descrito por Camus. O homem que vive e se depara de repente com a “absurdidade” (descrevo o termo como cunhado na obra de Camus) da vida. O ensaio de Camus é toda uma reflexão sobre isso, e traz junto a questão se esse homem deve ou não buscar o suicídio, visto que nada tem um sentido de ser. Mas na poesia, para José, suicídio não é uma opção, pois ele continua marchando (marcha pra onde?). Mesmo sozinho, sem apoio, e sem a existência de fé ou religião, representados aqui pela palavra “teogonia”.

Não tenho dúvida de que não existe ser humano consciente que não chegará até essa pergunta, que se tornou até mesmo um ditado popular no Brasil: “E agora, José?”. E nesse momento, quando a pergunta chegar, alguns poderão responder: a fé. Pois a fé traz a esperança. E a esperança dá um sentido para essa absurdidade. Talvez José não concorde. Provavelmente Camus e muitos outros gênios também não. Mas é claro, isso é ter fé. Isso é a loucura da salvação.

“Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo; Pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.” Rm 5.1-2

Na Primeira Epístola aos Coríntios, no capítulo 13, uns 1900 anos antes de Drummond ou Camus, o apóstolo Paulo já faz uma descrição da absurdidade da vida, sem a fé ou sem possibilidade da vida eterna, veja só:

“Ora, se é corrente pregar-se que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como, pois, afirmam alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos? E, se não há ressurreição de mortos, então, Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé; e somos tidos por falsas testemunhas de Deus, porque temos asseverado contra Deus que ele ressuscitou a Cristo, ao qual ele não ressuscitou, se é certo que os mortos não ressuscitam. Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E ainda mais: os que dormiram em Cristo pereceram. Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens.” 1Co 15.12-19

É meus amigos, se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens. Somos todos “José”.

estatua-drummond

Estátua de Carlos Drummond de Andrade na Praia de Copacabana no Rio de Janeiro.